Suposto viajante do tempo viraliza ao prever que o Sol desaparecerá por uma semana em novembro de 2024, mas especialistas reforçam que não há base científica e tratam o vídeo como entretenimento

Céu escurecido em pleno dia com o Sol oculto por nuvens densas, simbolizando o boato de uma semana sem Sol em novembro
Boato nas redes sociais fala em uma semana sem Sol em novembro de 2024

Previsão viral no TikTok sobre uma semana sem Sol em novembro de 2024 ganha atenção, porém carece de evidências e contradiz o que a ciência conhece

Um criador de conteúdo que se identifica como Radiant Time Traveller afirma ter vindo do ano 2671 e voltou a chamar atenção nas redes. Em um vídeo publicado em setembro de 2024, o tiktoker lista supostos acontecimentos dramáticos para os últimos meses do ano, incluindo a alegação de que o Sol desaparecerá por uma semana em novembro. O perfil, que assina como @radianttimetraveler, apresenta essas previsões como avisos ao público.

O vídeo reúne uma série de cinco eventos atribuídos ao fim de 2024, com datas e descrições específicas. Entre eles, está a promessa de que uma energia rara vinda do Sol permitiria às pessoas verem a própria morte e que uma celebridade que teria fingido a própria morte voltaria a aparecer. A publicação rapidamente despertou curiosidade, engajamento e críticas.

Muitos de vocês ainda não acreditam que eu seja um verdadeiro viajante do tempo, então lembrem-se desses cinco eventos que acontecerão nos últimos meses de 2024”, diz o autor logo no começo do vídeo. A narrativa é apresentada como uma contagem de fatos inevitáveis, com linguagem enfática e tom de urgência.

Nos comentários, o tom predominante foi de ceticismo e ironia. Um internauta argumentou que “se o Sol desaparecesse completamente por uma semana, o planeta inteiro morreria”. Outro questionou se haveria “algo positivo” nas previsões. E um terceiro resumiu o sentimento de parte do público ao escrever que o conteúdo deveria ser encarado como “entretenimento, e não como nada sério”.

As previsões listadas por Radiant Time Traveller, com datas e descrições do que supostamente ocorrerá

O vídeo elenca cinco acontecimentos específicos para o fim de 2024. Em 20 de setembro, segundo o autor, versões gigantes de 70 tipos diferentes de animais seriam encontradas em uma parte escondida da Austrália, incluindo “girafas tão altas quanto arranha-céus”. Trata-se de um enredo com imagens extremas e sem precedentes documentados na biologia.

Depois, em 23 de outubro, uma “energia rara e desconhecida” vinda do Sol permitiria às pessoas verem como morrerão por um período de três meses. Em 25 de outubro, o tiktoker diz que uma celebridade da música, que teria fingido a própria morte, viria a público e se tornaria a pessoa mais famosa do planeta, algo que também carece de qualquer confirmação independente.

O ponto mais polêmico aparece em 9 de novembro, quando o criador afirma que o Sol desapareceria por uma semana. Por fim, em 12 de novembro, ele prevê a descoberta de um artefato alienígena sob o gelo da Antártida, associado a uma doença misteriosa e incurável que se espalharia pelo planeta. As alegações não são acompanhadas de evidências verificáveis.

O que diz a ciência sobre o Sol desaparecer por uma semana e quais fenômenos reais explicam o escurecimento temporário

Do ponto de vista científico, não há mecanismo natural que faça o Sol “sumir” por sete dias mantendo a Terra intacta. Eclipses solares são fenômenos locais e de curta duração, medidos em minutos, causados pelo alinhamento entre Lua, Terra e Sol, como explicam guias básicos de astronomia do Observatório Nacional. Além disso, a própria rotação da Terra alterna dia e noite, o que impede um escurecimento global contínuo por tanto tempo. A Nasa descreve o Sol como uma estrela relativamente estável em sua fase atual, sem registro de “desligamentos” súbitos.

Se o Sol realmente deixasse de emitir luz e calor de forma abrupta, os efeitos seriam devastadores em curto prazo, com queda drástica de temperaturas, colapso de cadeias alimentares e impactos imediatos sobre a atmosfera e os ecossistemas. Como lembraram usuários nas redes, a hipótese não se sustenta física nem biologicamente. Portanto, o cenário de “uma semana sem Sol” é incompatível com o conhecimento consolidado pela comunidade científica.

Por que vídeos assim viralizam no TikTok, apelo de entretenimento e limites entre ficção e desinformação

Conteúdos que prometem “revelações do futuro” exploram curiosidade, medo e surpresa, elementos que tendem a aumentar cliques e compartilhamentos. A promessa de datas precisas, somada a imagens fortes, cria uma sensação de urgência que favorece a viralização, mesmo quando faltam provas. Isso ajuda a explicar por que o tema voltou a circular com tanta força.

Em muitos casos, criadores assumem um tom performático que mistura ficção e pseudo-documentário. Sem transparência, a linha entre entretenimento e desinformação fica turva. O público, por sua vez, reage de maneiras opostas: parte embarca no enredo, enquanto outra parte satiriza e desmonta o conteúdo com argumentos simples.

Quando previsões chegam sem fontes, sem dados verificáveis e com afirmações extraordinárias, a recomendação de especialistas é redobrar o ceticismo. A ciência opera com observação, testes e validação por pares, não com testemunhos isolados. É por isso que o crivo de instituições de pesquisa e de comunidades científicas é central em casos assim.

Também é comum que vídeos com datas marcadas “prometam” um grande evento e, quando nada acontece, o enredo migre para uma nova previsão. Essa dinâmica sustenta ciclos de audiência, mas não acrescenta informação confiável. Ela se parece mais com narrativa seriada do que com divulgação factual.

Vale lembrar que, nas próprias redes, usuários frequentemente pedem para que esse tipo de conteúdo seja encarado como entretenimento. Esse enquadramento evita pânico desnecessário e recoloca a conversa no terreno da ficção, onde tais histórias funcionam melhor.

O que observar ao checar boatos, sinais de alerta e fontes confiáveis antes de compartilhar

Desconfie de vídeos com promessas extraordinárias sem provas e com datas exatas para eventos de escala global. Procure se há confirmação em instituições científicas reconhecidas, universidades ou observatórios. Compare com explicações didáticas sobre eclipses, clima espacial e dinâmica do Sol, disponíveis em materiais educativos de referência.

Evite compartilhar conteúdos que apostam no medo sem apresentar dados técnicos, estudos, imagens verificáveis ou o mínimo de transparência. Quando necessário, busque o que dizem órgãos científicos e iniciativas de checagem independentes, e priorize o contexto antes de tirar conclusões.

E você, o que pensa sobre essas previsões virais? São apenas tramas divertidas para passar o tempo ou atravessam o limite e viram desinformação que assusta sem necessidade? Deixe seu comentário e conte se já viu outras “profecias” assim circulando nas redes.

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