Radares com IA já flagram celular e falta de cinto a 300 km/h, somam mais de 20 mil multas em cinco meses e reduzem acidentes nas rodovias de SP

Radar com câmera em alta resolução instalado em poste às margens de rodovia movimentada em São Paulo
Radar registra infrações como uso de celular e falta de cinto em rodovias de SP

Radares com IA entram em operação em trechos de São Paulo, registram milhares de infrações e elevam a pressão por direção segura

Em meio ao movimento intenso de fevereiro de 2026 e à proximidade do Carnaval, novos radares com inteligência artificial passaram a fiscalizar trechos de rodovias em São Paulo. Em apenas cinco meses, os equipamentos já identificaram mais de 20 mil infrações, reforçando a vigilância sobre comportamentos de risco ao volante.

Segundo dados veiculados pelo programa Fantástico, da TV Globo, a tecnologia combina câmeras 4K e algoritmos capazes de reconhecer padrões de irregularidades com veículos em movimento até 300 km/h. Entre as autuações mais comuns estão o uso de celular ao volante, a falta de cinto de segurança inclusive no banco traseiro e o transporte inadequado de crianças.

Um dos pontos de monitoramento fica na Rodovia Anhanguera, em Ribeirão Preto, sob administração da Arteris. Outro está na Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros, em Mogi Mirim, conhecida como Campinas Mogi, administrada pela Renovias. Os números iniciais ajudam a dimensionar o alcance da fiscalização automatizada.

Na Anhanguera, uma única câmera registrou, entre julho e novembro de 2025, mais de 20 mil infrações. Foram cerca de 17 mil por ausência de cinto e aproximadamente 3 mil por manuseio de celular. Na Campinas Mogi, onde o sistema opera desde 2023, foram mais de 6 mil casos de ocupantes sem cinto e cerca de 1,5 mil motoristas usando celular só em 2025.

Como o radar com IA detecta infrações, do cinto ao celular ao volante

Os equipamentos utilizam visão computacional treinada para reconhecer, em alta resolução, elementos como a posição do corpo, o encaixe do cinto e objetos próximos ao rosto e às mãos. Com câmeras 4K, a leitura é detalhada o suficiente para diferenciar o cinto de segurança preso ou solto, inclusive no banco traseiro, e identificar o manuseio de celular.

Além do cinto e do celular, o sistema verifica o transporte de crianças de forma inadequada e comportamentos de risco como braço para fora da janela. A análise ocorre em frações de segundo, cruzando múltiplos quadros do vídeo para reduzir falsos positivos, mesmo com veículos trafegando a até 300 km/h.

De acordo com as concessionárias responsáveis, a validação humana permanece na etapa final, quando agentes revisam as evidências captadas antes da autuação. Isso ajuda a garantir conformidade com o Código de Trânsito e reforça a rastreabilidade das provas.

Onde a tecnologia já está ativa, trechos em São Paulo e números oficiais

Na Rodovia Anhanguera em Ribeirão Preto, administrada pela Arteris, uma câmera somou mais de 20 mil registros entre julho e novembro de 2025, sendo cerca de 17 mil por falta de cinto e aproximadamente 3 mil por celular. Conforme exibido pelo Fantástico, o volume impressiona por ter sido captado em um único ponto de fiscalização.

Na Rodovia Governador Adhemar Pereira de Barros, a Campinas Mogi, em Mogi Mirim sob a Renovias, a tecnologia está presente desde 2023 e, só em 2025, flagrou mais de 6 mil ocupantes sem cinto e cerca de 1,5 mil motoristas usando celular. Esses resultados indicam padrão de comportamento arriscado em ambos os trechos.

TrechoDados principais
Rodovia Anhanguera, Ribeirão Preto, ArterisJul a nov de 2025, +20 mil infrações, ~17 mil sem cinto, ~3 mil com celular, redução de acidentes ~30%
Campinas Mogi, Mogi Mirim, RenoviasOperação desde 2023, em 2025 +6 mil sem cinto, ~1,5 mil com celular, redução de acidentes não informada
Tipos de conduta flagradasFalta de cinto, uso de celular, transporte inadequado de crianças, braço para fora da janela
Capacidade técnicaCâmeras 4K, análise por IA, veículos até 300 km/h

Impacto na segurança viária, queda de acidentes e efeito fiscalização

Representantes das concessionárias relatam melhora nos indicadores de segurança após a instalação. No trecho monitorado da Anhanguera, houve redução de cerca de 30% nos acidentes, resultado atribuído ao aumento da percepção de fiscalização e ao efeito inibidor da presença dos radares.

Os dados públicos reforçam uma tendência observada por órgãos de trânsito no país, em que a detecção objetiva de condutas de risco reduz infrações e, por consequência, sinistros. A transparência sobre a finalidade da fiscalização e a clareza das provas em vídeo contribuem para a adesão às regras.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, manusear celular ao volante é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos, enquanto não usar cinto é infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos. A aplicação correta desses enquadramentos, somada à evidência visual, tende a fortalecer a educação para o trânsito.

A combinação de fiscalização contínua e tecnologia avançada reduz comportamentos de risco e salva vidas nas rodovias

Privacidade, limites legais e como recorrer de multas registradas por câmeras

A captura de imagens para fins de fiscalização deve observar a Lei Geral de Proteção de Dados. As concessionárias e os órgãos de trânsito atuam como controladores das informações, com base legal na execução de políticas públicas e no cumprimento de obrigação legal, limitando o uso à finalidade de segurança viária.

Em geral, o material coletado é mantido pelo tempo necessário à autuação e aos prazos de defesa, com acesso restrito a equipes autorizadas. Boletins e relatórios técnicos ajudam a garantir trilha de auditoria e integridade das evidências.

Quando o auto é emitido, a imagem passa a compor o conjunto probatório. Se houver erro de placa, identificação equivocada do ocupante ou inconsistência de horário e local, o motorista pode apresentar defesa com documentação comprobatória.

Como recorrer, prazos e documentos

A contestação segue o rito administrativo, começando pela defesa prévia ao órgão autuador, seguida de recursos à Jari e, se necessário, ao Cetran. O prazo costuma ser de até 30 dias a partir da notificação, conforme indicado no próprio auto de infração.

É recomendável anexar cópias do auto, CRLV, CNH e fotos ou vídeos que demonstrem o equívoco, além de citar normas aplicáveis do CTB. A organização dos argumentos e o respeito aos prazos aumentam as chances de êxito.

Perguntas frequentes

  1. O radar com IA multa por excesso de velocidade?
  2. É possível ser multado por falta de cinto no banco traseiro?
  3. Como a câmera identifica o uso de celular sem abordar o motorista?
  4. O que fazer se eu discordar da autuação registrada por vídeo?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Tags: | |

Sobre o Autor

Geovane Souza
Geovane Souza

Criador de conteúdo com olhar atento para temas do cotidiano, curiosidades e assuntos que despertam interesse de forma leve e envolvente. Produz conteúdos sobre comportamento, cultura, estilo de vida, descobertas curiosas e tendências, sempre com uma abordagem acessível e próxima do público brasileiro.

    Update cookies preferences