Ilha fantasma no Mar Cáspio perde terreno rapidamente, Nasa registra avanço da erosão e expõe a fragilidade das ilhas formadas por vulcão de lama entre Ásia e Europa

Imagem de satélite da ilha Chigil-Deniz no Mar Cáspio, próxima ao Azerbaijão, mostrando a porção de terra em processo de erosão
Satélites da Nasa registram a ilha Chigil-Deniz encolhendo no Mar Cáspio

Imagens de satélites da Nasa mostram a ilha Chigil-Deniz, formada em 2023 no Mar Cáspio perto do Azerbaijão, encolhendo por erosão

Uma ilha ‘fantasma’ que surgiu em 2023 no Mar Cáspio, a cerca de 24 quilômetros da costa do Azerbaijão, está diminuindo rapidamente. De acordo com a Nasa, a sequência de imagens de satélites indica que a porção de terra está em processo de erosão e pode desaparecer. A área fica entre o leste europeu e o oeste da Ásia.

Batizada de Chigil-Deniz, a ilha nasceu após a erupção de um vulcão de lama, fenômeno comum na região. Em janeiro de 2023, o local apresentava uma área de 400 metros, mas desde então vem perdendo material. O desaparecimento é impulsionado por ondas, correntes e a natureza pouco consolidada dos sedimentos.

Segundo informações da Nasa, os satélites Landsat 8 e 9 registraram a evolução do ponto entre novembro de 2022, fevereiro de 2023 e dezembro de 2024. As imagens mostram a transição de um platô submerso para uma ilha visível e, depois, seu encolhimento progressivo. A pressão subterrânea empurrou sedimentos e gases até a superfície, criando a estrutura instável.

O Mar Cáspio é considerado o maior lago de água salgada do mundo e ocupa áreas continentais da Europa e da Ásia. A zona próxima ao Azerbaijão concentra a maior parte dos vulcões de lama do planeta, com mais de 300 estruturas similares, o que ajuda a explicar o surgimento e a curta vida de ilhas como a Chigil-Deniz.

O que mostram as imagens da Nasa sobre a ilha que surgiu em 2023 no Mar Cáspio

As cenas de novembro de 2022 apontam a área antes da emergência da ilha, com indícios de atividade submarina e acúmulo de sedimentos. Em fevereiro de 2023, a massa de terra já era visível na superfície, com cerca de 400 metros de extensão observável. Esse ganho rápido de material é típico de eventos de erupção de lama.

No registro de dezembro de 2024, a erosão aparece avançada, com redução clara da porção exposta. O formato da ilha se torna irregular, e partes antes contínuas passam a ser fragmentadas por canais e recortes. A tendência captada pelos sensores é de contração constante.

De acordo com a Nasa, ilhas desse tipo tendem a mudar rapidamente e podem desaparecer por completo em pouco tempo. A combinação de sedimentos finos, ondas e ventos acelera o desgaste. A própria história recente do Cáspio mostra outros episódios semelhantes.

Linha do tempo das observações por satélite

DataRegistro dos satélites Landsat 8 e 9
Novembro de 2022Área submersa com sinais de atividade prévia, sem ilha definida
Fevereiro de 2023Ilha Chigil-Deniz visível, com área aproximada relatada de 400 metros
Janeiro de 2023Medição mencionada de 400 metros de área, início do monitoramento de superfície
Dezembro de 2024Redução significativa da porção exposta e sinais de erosão ativa

Por que ilhas de vulcão de lama desaparecem tão rápido, explicações e contexto geológico

Segundo a Nasa, erupções de vulcões de lama conseguem formar ilhas ao empurrar sedimentos e gases para a superfície. Esse material, no entanto, é pouco consolidado e altamente suscetível à ação de ondas e correntes. O resultado é um ciclo de rápida construção seguido de desgaste acelerado.

No Mar Cáspio, as variações locais de vento e maré interna intensificam o retrabalhamento dos depósitos. Sem estrutura rochosa para sustentar a elevação, bancos e taludes recém-formados se desfazem em meses ou poucos anos. É por isso que muitas dessas ilhas são descritas como “fantasmas”.

Ilhas jovens formadas por sedimentos de vulcões de lama são frágeis e podem ser desfeitas pela erosão em pouco tempo.

Onde fica a ilha e o que diferencia o Mar Cáspio entre Europa e Ásia

A Chigil-Deniz está situada no Mar Cáspio, próxima ao Azerbaijão, a 24 quilômetros do continente. Geograficamente, o Cáspio ocupa um corredor entre o leste da Europa e o oeste da Ásia, o que torna o caso relevante para a compreensão de dinâmicas costeiras em uma zona de transição continental.

Por ser o maior lago de água salgada do mundo, o Cáspio apresenta características singulares na circulação de água e no transporte de sedimentos. Essas condições influenciam a estabilidade de novas formações. Quando o aporte de lama diminui após a erupção, a tendência é a regressão do corpo de terra.

O entorno do Azerbaijão registra atividade frequente de vulcões de lama, o que explica a reincidência desses episódios. A repetição, porém, não significa permanência das ilhas. A maioria nasce, cresce rapidamente e regride até quase sumir dos mapas em pouco tempo.

Esse comportamento dinâmico ajuda pesquisadores a entender padrões de erosão costeira, transporte de sedimentos e riscos locais. O acompanhamento por satélite é essencial para medir o ritmo das mudanças e orientar estudos ambientais e geológicos na região.

Frequência de vulcões de lama no Azerbaijão e o impacto na costa

Próximo ao Azerbaijão existem mais de 300 estruturas similares de vulcões de lama, segundo a Nasa. Essa concentração excepcional cria um ambiente propício à formação de bancos e ilhas temporárias, que podem se manifestar na superfície após eventos de pressão subterrânea.

O impacto na costa e no mar é visível na mudança rápida de formas e na criação de habitats efêmeros. Em muitos casos, a erosão supera o ritmo de deposição pouco depois da erupção, levando a ilhas como a Chigil-Deniz a encolher e, por vezes, desaparecer.

Perguntas frequentes sobre a ilha fantasma e o Mar Cáspio

1. Onde fica exatamente a ilha Chigil-Deniz?

A ilha está no Mar Cáspio, próxima ao Azerbaijão, a cerca de 24 quilômetros do continente, entre o leste europeu e o oeste da Ásia.

2. Como a Nasa acompanhou o surgimento e o encolhimento?

O monitoramento foi feito por imagens dos satélites Landsat 8 e 9, com registros em novembro de 2022, fevereiro de 2023 e dezembro de 2024.

3. Por que a ilha está desaparecendo?

Por ser formada por sedimentos de vulcões de lama, a estrutura é frágil e sofre erosão intensa por ondas, ventos e correntes, reduzindo a área exposta.

4. Esse tipo de ilha é comum no Cáspio?

Sim. A região próxima ao Azerbaijão concentra mais de 300 vulcões de lama, e ilhas efêmeras como a Chigil-Deniz podem surgir e desaparecer em curtos períodos.

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Geovane Souza
Geovane Souza

Criador de conteúdo com olhar atento para temas do cotidiano, curiosidades e assuntos que despertam interesse de forma leve e envolvente. Produz conteúdos sobre comportamento, cultura, estilo de vida, descobertas curiosas e tendências, sempre com uma abordagem acessível e próxima do público brasileiro.

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