Câmara secreta no Monte Rushmore, o plano ambicioso de Gutzon Borglum que começou em 1938, parou em 1941 e só ganhou registros em 1998

Plano inacabado sob as faces do Monte Rushmore revela a ambição de registrar a história e as contradições do santuário da democracia
Um projeto ousado marcou a história do Monte Rushmore, em Dakota do Sul, nos Estados Unidos. Além dos quatro rostos esculpidos — George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt — o escultor Gutzon Borglum idealizou uma câmara secreta no interior da montanha.
O espaço, batizado de Hall of Records, começou a ser aberto em 1938, atrás da cabeça de Lincoln, com o objetivo de preservar a história do monumento e da própria nação. A ideia previa abrigar documentos fundacionais, como a Declaração da Independência, e estátuas de outras figuras americanas.
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Porém, o governo considerou o plano mais caro do que o previsto e o interrompeu. Com a morte de Borglum em 1941, antes da inauguração do conjunto principal, o projeto da sala ficou inacabado e sem acesso ao público.
Somente em 1998 autoridades instalaram painéis no local, registrando a história do Monte Rushmore e uma citação de Borglum na entrada. Até hoje não há passagem turística para a câmara, preservando-a como um repositório simbólico e fechado.
Como nasceu a ideia e quem moldou o projeto original de memória histórica no Monte Rushmore
A saga começou quando o historiador Doane Robinson convidou Borglum, no início do século 20, para discutir uma escultura monumental nas Black Hills. O objetivo era homenagear a história dos Estados Unidos e atrair atenção para a região.
Definidos os homenageados — Washington, Jefferson, Lincoln e Roosevelt — as obras iniciaram em 1927, no Monte Rushmore. A ambição artística de Borglum caminhava junto de um plano pedagógico, que pretendia explicar a trajetória do país aos visitantes.
Inicialmente, o escultor pensou em gravar uma linha do tempo esculpida ao lado dos presidentes, com nove momentos decisivos. A solução, porém, foi abandonada por razões estéticas, o que levou à concepção do Hall of Records como alternativa narrativa.
Da linha do tempo esculpida ao Hall of Records, o que mudaria na montanha e por que foi descartado
O Hall of Records pretendia reunir, em um ambiente interno, os marcos da história nacional e os bastidores do projeto, sem alterar o equilíbrio visual das faces. O foco era pedagógico e documental, uma cápsula informativa dentro do monumento.
Contudo, o governo rejeitou o avanço por custo acima do previsto, travando a execução completa. Com isso, o interior da montanha foi parcialmente aberto, mas sem conclusão ou passagem segura para visitantes.
Linha do tempo resumida do projeto e da câmara
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1927 | Início das obras de escultura no Monte Rushmore |
| 1938 | Início da abertura da câmara secreta atrás da cabeça de Lincoln |
| 1941 | Morte de Gutzon Borglum, projeto da câmara interrompido |
| 1998 | Instalação de painéis históricos e citação de Borglum no local |
| Atual | Sem acesso turístico à câmara, mantida como espaço simbólico |
A construção da câmara e o impasse com o governo, os marcos de 1938, 1941 e 1998
Em 1938, temendo que a obra não fosse compreendida ao longo do tempo, Borglum iniciou a escavação do Hall of Records na parte traseira da cabeça de Abraham Lincoln. O plano era reunir documentos e objetos que explicassem o sentido do monumento.
Entre os itens pensados estavam réplicas de documentos fundacionais, como a Declaração da Independência, além de estátuas de outras figuras históricas. A câmara funcionaria como arquivo e memorial, complementando as esculturas externas.
O governo federal, contudo, não autorizou a conclusão, citando orçamento além do aceitável. Quando Borglum morreu em 1941, antes mesmo da inauguração oficial das faces, o espaço permaneceu inacabado e inacessível.
Durante anos, descendentes de Borglum buscaram reconhecimento judicial pela obra do artista. Em 1998, autoridades instalaram painéis narrando a história do Monte Rushmore e gravaram uma citação de Borglum na entrada, como gesto simbólico de homenagem.
Segundo o National Park Service, o Monte Rushmore é conhecido como Santuário da Democracia, mas a câmara permanece fechada ao público, servindo como depósito histórico e marco de memória institucional do projeto.
“Eu não chego ao ponto de pensar que os únicos índios bons são os índios mortos, mas acredito que nove em cada dez são.” — frase atribuída a Theodore Roosevelt
O legado e as controvérsias dos homenageados, o santuário da democracia confronta seu passado
As figuras no Monte Rushmore carregam legados complexos. Thomas Jefferson e George Washington foram proprietários de escravos, o que expõe contradições históricas de um país erguido sobre ideais de liberdade e desigualdades estruturais.
Abraham Lincoln, embora associado à abolição, permitiu o enforcamento de 38 indígenas após conflito com colonos brancos. Theodore Roosevelt tem histórico de tensão com povos nativos, e a frase que lhe é atribuída reforça esse passado controverso.
O que existe hoje na câmara e por que o acesso continua restrito
Desde 1998, o interior do Hall of Records abriga painéis com a história do projeto e uma citação de Borglum na entrada, oficializando a função memorial do espaço. Não há passagem turística até a câmara, por questões de conservação, segurança e projeto original inacabado.
De acordo com informações históricas do National Park Service, o local funciona como um repositório simbólico, preservando a narrativa do monumento e a ambição de Borglum de registrar, para o futuro, a gênese e o propósito do Monte Rushmore.
Perguntas frequentes
- Onde fica a câmara secreta do Monte Rushmore?
A câmara, conhecida como Hall of Records, está na parte de trás da cabeça de Abraham Lincoln, no interior do Monte Rushmore, em Dakota do Sul.
- Quando a câmara secreta começou a ser construída?
A escavação começou em 1938, por iniciativa de Gutzon Borglum, para preservar documentos e a história do projeto.
- A câmara do Monte Rushmore é aberta ao público?
Não. Não existe passagem turística até a sala; o acesso permanece restrito por segurança e conservação.
- O que foi feito em 1998 em relação ao Hall of Records?
Autoridades instalaram painéis que contam a história do monumento e incluíram uma citação de Borglum na entrada, como homenagem simbólica.
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