Atum do tamanho de uma motocicleta arrematado por mais de US$ 1 milhão em Tóquio expõe corrida por prestígio e reacende alerta sobre sobrepesca segundo dados históricos

Peixe de 276 quilos é vendido por 207 milhões de ienes no leilão de ano novo em Toyosu, segundo maior valor desde 1999
Um atum-rabilho de 276 quilos foi arrematado por cerca de 207 milhões de ienes — o equivalente a US$ 1,3 milhão — no tradicional leilão de ano novo do mercado de peixes de Toyosu, em Tóquio, realizado em 5 de janeiro. Segundo a agência japonesa Kyodo, trata-se do segundo maior preço já registrado desde o início da série histórica.
O peixe foi comprado pelo Onodera Group, grupo por trás da rede Sushi Ginza Onodera, conhecida por restaurantes de sushi com estrela Michelin em Tóquio e Los Angeles. A disputa pelo primeiro lote do ano é vista como símbolo de sorte e prestígio no setor.
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De acordo com a Kyodo, o leilão de Toyosu é a referência nacional, reunindo vendedores e compradores de todo o país nas manhãs de dias úteis. A marca alcançada reforça a reputação do evento e o apelo comercial que cercam o início do calendário no principal mercado atacadista de frutos do mar do Japão.
O valor superlativo repete um padrão recente. É o quinto ano consecutivo em que o Onodera Group paga o maior lance do leilão, após ter desembolsado mais de 114,2 milhões de ienes — cerca de US$ 720 mil — por um atum-rabilho no ano passado, segundo registros noticiados no Japão.
Leilão de ano novo, tradição que movimenta Toyosu e vale prestígio
Compradores de várias partes do país se enfrentam pelo primeiro peixe do ano, que, segundo os especialistas do setor, vale mais do que o produto em si. A disputa é por visibilidade, reputação e clientela, ingredientes que pesam no marketing de restaurantes de alto padrão.
O presidente do Sushi Onodera, Shinji Nagao, disse que a ocasião carrega significado simbólico. Para ele, o primeiro atum do ano é sinal de bons presságios à mesa e no negócio, reforçando a estratégia do grupo de associar o leilão inaugural à sua marca.
Histórico de preços e comparação do peixe gigante com o recorde de 2019
Desde 1999, quando o mercado passou a compilar dados, apenas uma venda superou a cifra deste ano. O recorde foi estabelecido em 2019, com o pagamento de 333,6 milhões de ienes — cerca de US$ 3,1 milhões — por um atum de 278 quilos. A nova transação ocupa o segundo lugar no ranking histórico.
A seguir, uma comparação direta entre o lance de 5 de janeiro e o recorde anterior, útil para dimensionar a escalada de preços no leilão de ano novo e o peso simbólico de cada arremate para o setor de alta gastronomia:
| Leilão de 5 de janeiro | Recorde de 2019 |
|---|---|
| 207 milhões de ienes | 333,6 milhões de ienes |
| US$ 1,3 milhão | US$ 3,1 milhões |
| 276 kg | 278 kg |
| Segundo maior preço da série | Maior preço já registrado |
| Comprador Onodera Group | Comprador não informado no balanço |
Para grupos como o Onodera, desembolsar valores elevados no primeiro leilão do ano é um investimento em posicionamento de marca. A aposta rende manchetes, atrai público e reafirma a qualidade do produto oferecido ao longo do ano.
O evento também reforça Toyosu como palco central do comércio global de frutos do mar, mantendo acesa a tradição que fez do antigo mercado de Tsukiji um destino turístico e gastronômico por décadas.
De onde veio o atum e o que dizem os pescadores de Oma Aomori
O peixe foi capturado na costa de Oma, na prefeitura de Aomori, ao nordeste do Japão, uma região reconhecida pela qualidade de seu atum-rabilho. A procedência costuma influenciar a competição, já que consumidores e chefs valorizam áreas tradicionais de pesca.
O pescador responsável pela captura, Masahiro Takeuchi, de 73 anos, relatou à emissora pública NHK estar “incrivelmente feliz” com a venda. A fala evidencia o impacto econômico direto que o leilão gera para comunidades pesqueiras especializadas.
Estou sempre preocupado sobre por quanto tempo ainda serei capaz de continuar pescando assim
A declaração de Takeuchi, reproduzida pela NHK, também ilumina preocupações de longo prazo, como a sustentabilidade da atividade e as mudanças nas condições do mar que pressionam estoques e a renda de pescadores veteranos.
Toyosu e a herança de Tsukiji, mudanças e reações ao novo mercado
O principal mercado de peixes do Japão foi inaugurado em 1935 em Tsukiji, tornando-se um ícone turístico e gastronômico de Tóquio. Em outubro de 2019, a operação foi transferida para Toyosu, em uma ilha artificial próxima, com infraestrutura moderna.
A realocação dividiu opiniões. Houve quem aplaudisse a atualização sanitária e logística, enquanto críticos lamentaram a perda do cenário clássico de Tsukiji e os efeitos na experiência de visitantes e comerciantes.
Atum-azul e a pressão sobre a espécie, dados do WWF e conservação
O atum-azul é o maior entre as espécies de atum, podendo viver até 40 anos, migrar por todos os oceanos e atingir três metros de comprimento, segundo o World Wildlife Fund (WWF). Alguns indivíduos podem chegar a 680 kg, muito acima do exemplar leiloado em Tóquio.
O WWF alerta que populações do atum-azul sofreram quedas acentuadas nas últimas décadas, pressionadas por sobrepesca e pesca ilegal. A valorização de exemplares em leilões de alto perfil realimenta o debate sobre limites de captura e manejo responsável.
Medidas de conservação, como cotas internacionais e rastreabilidade, são apontadas por especialistas como essenciais para recuperar os estoques. O desafio é equilibrar tradição, economia e sustentabilidade diante da demanda da gastronomia premium.
Para restaurantes como o Sushi Ginza Onodera, o prestígio do primeiro lance do ano convive com a necessidade de evidenciar origem, qualidade e conformidade com normas de pesca. Esse equilíbrio é cada vez mais valorizado por consumidores e críticos.
Ao mesmo tempo, o poder de atração desses leilões ajuda a educar o público sobre a biologia da espécie e a importância de práticas que assegurem o futuro da pesca e da culinária japonesa de alto nível.
FAQ, dúvidas comuns sobre o leilão e o atum-azul
1) Quanto custou o peixe e qual foi o peso? O atum-rabilho foi vendido por cerca de 207 milhões de ienes (US$ 1,3 milhão) e pesou 276 kg, em leilão realizado em 5 de janeiro.
2) Quem comprou o atum e por quê? O Onodera Group, dono do Sushi Ginza Onodera, arrematou o peixe. O primeiro lance do ano rende prestígio, reforça a marca e atrai clientes.
3) Esse foi um preço recorde? Não. Foi o segundo maior valor desde 1999. O recorde é de 333,6 milhões de ienes (US$ 3,1 milhões) por um atum de 278 kg em 2019.
4) O atum-azul está ameaçado? Segundo o WWF, populações da espécie sofreram forte declínio por sobrepesca e pesca ilegal, o que demanda manejo rigoroso e conservação.
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