OpenAI alerta falta de energia para IA do futuro, IEA vê consumo dos data centers dobrar até 2026 e G20 pede corrida por fontes limpas
Alerta da OpenAI sobre gargalo energético pressiona governos e setor elétrico a acelerar energia limpa e infraestrutura
“Vamos precisar de uma quantidade de energia que não está disponível, hoje, para fazer a inteligência artificial do futuro.” A avaliação é de Nicolas Robinson Andrade, líder de políticas públicas da OpenAI para América Latina e Caribe. A declaração foi dada durante a Data Privacy Global Conference, em São Paulo, e sintetiza a dimensão do desafio energético por trás da promessa de uma superinteligência artificial.
O avanço da IA depende de data centers de alta capacidade, que exigem grandes volumes de eletricidade. De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo elétrico desses centros pode saltar de 460 TWh em 2022 para 1.050 TWh em 2026. O crescimento rápido eleva a preocupação com a pegada climática e com a segurança do suprimento.
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Em outubro de 2024, o G20 emitiu um alerta sobre o impacto ambiental da IA em declaração conjunta divulgada em São Luís, Maranhão. O documento pede investimentos em larga escala em energia limpa, financiamento à pesquisa e melhoria da infraestrutura digital.
O Brasil surge como caso singular: segundo Andrade, 88% da matriz elétrica nacional já é renovável, com peso de hidrelétricas e usinas solares. Ainda assim, a infraestrutura de alto desempenho para IA no país está atrás dos Estados Unidos, o que abre uma janela para ações coordenadas.
Projeções de consumo disparam, GPUs e supercomputadores elevam a conta de eletricidade
O motor da IA generativa são as GPUs, capazes de realizar trilhões de operações por segundo para treinar e rodar modelos estatísticos complexos. Esse desempenho vem com custo: elas consomem mais energia que processadores tradicionais, e supercomputadores podem gastar até seis vezes mais do que máquinas comuns de centros de processamento de dados.
O quadro de aceleração é confirmado pela IEA, que projeta os 1.050 TWh em 2026 para data centers, mais que o dobro de 2022. Trata-se de uma pressão súbita sobre redes elétricas que já enfrentam desafios de expansão e descarbonização.
Há também incerteza regional. Segundo o TechCrunch, modelos de IA poderiam chegar a consumir cerca de 12% de toda a eletricidade dos EUA até 2027, caso as tendências atuais se mantenham. O dado, embora estimativo, reforça a urgência de eficiência e fontes de baixo carbono.
Pressão política e cooperação internacional, G20 coloca energia limpa no centro das decisões
O G20 afirmou em outubro de 2024, em São Luís, que é “fundamental” priorizar investimentos em produção de energia limpa e infraestrutura de IA. A mensagem ecoa a fala de Andrade, para quem os países “terão de se sentar em uma mesa e resolver esse gargalo”.
Segundo o executivo da OpenAI, a coordenação deve ser ampla, incluindo geração renovável, financiamento a inovação e expansão de redes. Esse pacote é visto como condição para a “IA do futuro” ocorrer sem ampliar emissões nem causar choques de oferta elétrica.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Consumo de data centers em 2022 | 460 TWh (IEA) |
| Projeção para 2026 | 1.050 TWh (IEA) |
| Participação estimada da eletricidade dos EUA em 2027 atribuída à IA | 12% (TechCrunch) |
| Parcela renovável da matriz elétrica do Brasil | 88% (OpenAI, via Andrade) |
Brasil entre vantagem renovável e déficit de infraestrutura, investimentos e rotas tecnológicas em avaliação
Com 88% de sua eletricidade vinda de fontes renováveis, o Brasil está bem-posicionado para prover energia de baixo carbono a novos data centers, segundo Andrade. Porém, o país ainda não conta com data center de IA implantado e segue atrás dos EUA em infraestrutura de computação de alto desempenho.
Há promessas de investimentos de Microsoft, Amazon e Google para expansão de unidades no Brasil, o que pode iniciar um ciclo de modernização. No front regulatório, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) definiu regras que destravam o licenciamento de usinas hidrelétricas reversíveis, importantes para armazenamento e estabilidade do sistema.
A transição também passa por obras de rede. Consultorias do setor propõem acelerar projetos de transmissão e realizar leilões voltados ao uso de renováveis para reduzir o curtailment em regiões com alta oferta e escoamento limitado. Movimentos desse tipo aumentam a capacidade de atender cargas intensivas como IA.
Na geração firme e de baixa emissão, a energia nuclear é citada por empresas como alternativa complementar, e há empresários investindo em projetos com desenhos mais sustentáveis de usinas. Mesmo assim, a tendência global é ampliar a participação de eólica e solar no suprimento de data centers.
“Vamos precisar de uma quantidade de energia que não está disponível, hoje, para fazer a inteligência artificial do futuro.”
Eficiência vira diferencial competitivo, caso DeepSeek desafia o paradigma do maior é melhor
O lançamento do DeepSeek, ferramenta chinesa de IA generativa, trouxe um contraponto ao padrão de escalar apenas com mais poder computacional. A tecnologia promete consumir menos energia que concorrentes dos EUA, como Google e OpenAI, alegando uso de computadores de menor porte sem perda de desempenho do chatbot.
O movimento acirra o debate sobre eficiência energética como métrica central da próxima onda de IA. Se confirmada em larga escala, a abordagem pode reduzir custos elétricos e a pressão sobre redes, somando-se aos esforços de expansão de renováveis e modernização da infraestrutura.
Exemplos de ampliação de oferta também surgem no setor hidrelétrico, com projetos de reforço de capacidade e atendimento a marcos como o LRCAP/2026. Há casos de investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão para acrescentar cerca de 232 MW, sinalizando o apetite do mercado em antecipar a demanda de cargas intensivas.
No curto prazo, mudanças de cronograma em disputas de PCHs previstas até março e remarcadas para o segundo semestre indicam ajustes finos na expansão. A direção, porém, é clara: mais renováveis, mais rede e uso racional de energia nos centros de dados.
FAQ, perguntas e respostas sobre energia e IA
- Por que a OpenAI diz que falta energia para a IA do futuro? Porque a demanda de computação cresce mais rápido que a expansão do suprimento. Segundo Nicolas Robinson Andrade, será preciso coordenação global para evitar gargalos de eletricidade.
- Qual é a projeção da IEA para consumo de data centers até 2026? A IEA estima alta de 460 TWh em 2022 para 1.050 TWh em 2026, mais que o dobro em quatro anos, pressionando redes e metas climáticas.
- Como o Brasil está posicionado nesse cenário? O país tem 88% da matriz elétrica renovável, mas carece de infraestrutura específica para IA. Há promessas de investimentos de Microsoft, Amazon e Google para ampliar unidades locais.
- O que o caso DeepSeek ensina sobre eficiência energética? Mostra que otimizar modelos e hardware pode reduzir consumo, desafiando a ideia de que apenas mais poder computacional garante desempenho.
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