De polo turístico a potência tecnológica, Florianópolis transforma décadas de inovação em liderança e é reconhecida como Capital Nacional das Startups pela Lei 14.955 de 2024

Reconhecimento nacional de setembro de 2024 consolida a virada tecnológica de Florianópolis e mostra como políticas e instituições criaram um ecossistema robusto
Florianópolis foi oficialmente reconhecida em setembro de 2024 como Capital Nacional das Startups pela Lei nº 14.955/2024, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O título coroa uma trajetória construída ao longo de quatro décadas, na interseção entre universidade, setor público e iniciativa privada. Não é apenas rótulo, é a validação de uma estratégia de desenvolvimento baseada em inovação.
O caminho começou com a Fundação CERTI em 1984, em parceria com a UFSC, o governo de Santa Catarina e entidades privadas. Na sequência, a ACATE surgiu em 1986 para organizar empreendedores e dar musculatura ao nascente setor de tecnologia. Essas instituições criaram as bases para um hub de inovação que hoje é referência no país.
Veja também
Os resultados aparecem em números e empregos qualificados. Em 2019, o setor de tecnologia catarinense faturou R$ 17,7 bilhões e empregou mais de 56 mil profissionais, com a Grande Florianópolis concentrando cerca de 27 mil vagas. Esses dados traduzem impacto econômico e social, com efeitos em renda, formação e atração de talentos.
Com a expansão da Rede Catarinense de Centros de Inovação em cidades como Blumenau, Chapecó, Joinville e Lages, o empreendedorismo inovador ganhou capilaridade. Políticas públicas consistentes, com destaque às gestões do MDB e do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, alinharam infraestrutura, educação e incentivos, consolidando o ambiente propício para startups.
Reconhecimento nacional e a força de uma lei federal que consolida uma trajetória de décadas
A promulgação da Lei nº 14.955/2024 em setembro de 2024 reconhece oficialmente Florianópolis como referência em startups. De acordo com a legislação federal, o título valoriza o histórico de inovação local e estimula novas iniciativas em ciência, tecnologia e empreendedorismo.
O reconhecimento federal não cria o ecossistema do zero, mas legitima políticas e investimentos já consolidados. A chancela nacional fortalece a imagem da cidade, facilita conexões com investidores e amplia a visibilidade internacional para startups e pesquisadores.
Segundo a própria lei e seus desdobramentos, o efeito simbólico também se traduz em agenda pública. Ele orienta prioridades de fomento, incentiva cooperação entre entes federativos e acelera programas de formação de capital humano.
Fundação CERTI, UFSC e a origem de um ecossistema que nasce de parcerias
Criada em 1984, a Fundação CERTI nasceu com a missão de promover desenvolvimento tecnológico e competitividade industrial. De acordo com a instituição, seu papel foi conectar P&D da UFSC, demandas do mercado e políticas estaduais, gerando um ciclo virtuoso de inovação.
Esse arranjo universidade-governo-empresas, iniciado há quatro décadas, sustentou incubadoras, laboratórios e projetos-piloto. O resultado foi a formação de talentos e a transferência de tecnologia para o setor produtivo, pilar que segue ativo no ecossistema.
ACATE e a consolidação do hub tecnológico com apoio a mais de mil empresas
Fundada em 1986, a ACATE uniu empreendedores com o objetivo de fortalecer o setor de tecnologia em Santa Catarina. Segundo a associação, hoje ela representa mais de 1.000 empresas de tecnologia, articulando eventos, capacitações e conexões com investidores.
Esse suporte ajudou a reduzir barreiras para a criação e o crescimento de startups. Com programas de aceleração e redes de mentoria, a ACATE contribuiu para transformar Florianópolis em hub competitivo no cenário nacional.
Números da economia de tecnologia em Santa Catarina e o impacto social gerado
O setor tech catarinense alcançou R$ 17,7 bilhões em faturamento em 2019, conforme dados setoriais reportados no estado. Além disso, mais de 56 mil profissionais atuam nessa economia, que combina serviços digitais, hardware e soluções B2B, com efeitos multiplicadores na cadeia local.
Na Grande Florianópolis, são aproximadamente 27 mil empregos qualificados, o que altera o perfil ocupacional da região. Isso significa maior renda média, demanda por formação superior e atração de talentos de outros estados.
Esses indicadores evidenciam que inovação não é nicho, mas estratégia de desenvolvimento. Ao diversificar a base econômica, o ecossistema reduz a dependência do turismo e sustenta crescimento mais estável.
Panorama das instituições e funções no ecossistema catarinense
| Instituição | Papel no ecossistema |
|---|---|
| Fundação CERTI (1984) | P&D, transferência de tecnologia e conexão UFSC-mercado |
| ACATE (1986) | Representa 1.000+ empresas, eventos, mentoria e acesso a capital |
| UFSC | Formação de talentos, pesquisa aplicada e laboratórios |
| Rede Catarinense de Centros de Inovação | Incubação, coworking e conexão com investidores no interior |
| Políticas estaduais | Infraestrutura, educação e incentivos fiscais ao setor |
Rede Catarinense de Centros de Inovação se espalha pelo estado e acelera startups
Com unidades em Blumenau, Chapecó, Joinville e Lages, a rede amplia o acesso a infraestrutura e serviços essenciais. Segundo a iniciativa, os centros oferecem coworkings, incubadoras e laboratórios, além de conexões com investidores e programas de aceleração.
Esse desenho evita a concentração excessiva de oportunidades em uma única cidade. Ao distribuir recursos, Santa Catarina cria trajetórias de crescimento regional, mantendo Florianópolis como referência e irradiando boas práticas para outros polos.
O efeito é um funil mais amplo de ideias que chegam ao mercado. Startups nascidas no interior encontram canal para validação e escala, fortalecendo o ecossistema como um todo.
Políticas públicas consistentes e o papel do MDB na virada tecnológica
Gestões estaduais com protagonismo do MDB, especialmente sob o ex-governador Luiz Henrique da Silveira, priorizaram infraestrutura, educação e incentivos fiscais. De acordo com registros das políticas adotadas, esse tripé criou um ambiente de menor risco para inovação.
Com planejamento e coordenação, o poder público se tornou viabilizador de parcerias e atração de investimentos. O alinhamento entre estratégia, regulação e fomento foi decisivo para dar escala à transformação.
Formação de gestores e a atuação da Fundação Ulysses Guimarães na agenda de inovação
A Fundação Ulysses Guimarães (FUG) tem impulsionado debates e capacitação de gestores públicos para inovação. Segundo a instituição, Guto Scherer, secretário executivo, especialista em gestão pública e inovação política, lidera programas como Escola Movimento, Escola de Líderes e o Programa de Inovação na Gestão Pública.
Essa formação técnica sustenta políticas mais eficazes e voltadas a resultados. Ao representar a FUG em agendas de democracia e desenvolvimento no Brasil, Scherer contribui para disseminar metodologias e consolidar aprendizados do caso catarinense.
Inovação sustentável nasce de continuidade, cooperação e confiança entre universidade, governo e empresas, com metas claras e execução consistente.
O que muda com o título e por que Florianópolis virou referência nacional
O título de Capital Nacional das Startups funciona como selo de qualidade e vantagem competitiva. Ele reforça a atratividade para capital e talentos e amplia a visibilidade de soluções desenvolvidas localmente.
Mais do que um troféu, é um convite para manter a estrada pavimentada desde 1984 com a CERTI, expandida pela ACATE e consolidada por redes regionais e políticas de Estado. Florianópolis mostra que inovação é projeto de longo prazo, com resultados medidos em empregos, faturamento e impacto social.
FAQ
1) O que diz a Lei nº 14.955/2024?
A lei, sancionada em setembro de 2024, reconhece Florianópolis como Capital Nacional das Startups, valorizando sua trajetória em inovação e empreendedorismo.
2) Quais instituições foram fundamentais para o ecossistema?
A Fundação CERTI e a UFSC iniciaram a base em 1984, a ACATE consolidou o setor desde 1986 e a Rede Catarinense de Centros de Inovação expandiu o alcance pelo estado.
3) Qual o tamanho do setor de tecnologia em Santa Catarina?
Em 2019, o setor faturou R$ 17,7 bilhões e empregou mais de 56 mil profissionais, com cerca de 27 mil na Grande Florianópolis.
4) Como as políticas públicas ajudaram?
Com foco em infraestrutura, educação e incentivos fiscais, gestões com protagonismo do MDB criaram ambiente propício para startups crescerem e se internacionalizarem.
Sobre o Autor