O pesadelo adormecido sob o mar, como o naufrágio do SS Richard Montgomery deixou 1.400 toneladas de explosivos no estuário do Tâmisa e virou uma bomba-relógio por oito décadas

Mastros do naufrágio SS Richard Montgomery emergindo no estuário do Tâmisa, próximo a Sheerness, com boias de aviso
Mastros do SS Richard Montgomery ainda visíveis no estuário do Tâmisa

O SS Richard Montgomery permanece com 1.400 toneladas de explosivos no estuário do Tâmisa, monitorado dia e noite por autoridades britânicas

O navio cargueiro SS Richard Montgomery, afundado desde agosto de 1944 no estuário do Tâmisa, segue carregando cerca de 1.400 toneladas de explosivos. O caso é tratado como um risco controlado, mas que exige vigilância constante. Segundo a Agência Marítima e de Guardas Costeiros do Reino Unido, o perigo de uma grande explosão é considerado remoto, porém a estratégia oficial é manter inspeções regulares e intervenções planejadas.

O naufrágio ocorreu quando o cargueiro da classe Liberty encalhou próximo a Sheerness, após ordem de ancoragem no fundeadouro Great Nore. O navio levava ao todo 6.127 toneladas imperiais de carga, sobretudo munições destinadas a Cherbourg, na Normandia. Parte da carga foi retirada às pressas, mas a operação não terminou como previsto.

Décadas depois, o casco partido e os mastros que ainda emergem da água permanecem como um lembrete do risco. O governo mantém uma zona de exclusão, sinalização em cartas náuticas, avisos à navegação e monitoramento por radar 24 horas. Relatórios anuais acompanham a evolução do naufrágio e orientam as próximas ações.

Em 2023, com base em inspeções realizadas no ano anterior, o governo confirmou o plano de reduzir a altura dos três mastros para aliviar tensões na estrutura. A remoção dos mastros foi reprogramada para 2025, após a BBC relatar em 2024 a descoberta de 18 novos objetos metálicos nas proximidades, o que postergou os trabalhos.

Do estaleiro na Flórida ao fundo do estuário do Tâmisa, a viagem que terminou em encalhe e ruptura

Construído no início dos anos 1940 em Jacksonville, Flórida, o SS Richard Montgomery foi projetado para apoiar a Marinha dos EUA na Segunda Guerra Mundial. Lançado ao mar em 1943, tinha mais de 130 metros de comprimento e partiu em agosto de 1944 com destino a Cherbourg, na França, fazendo escala no Reino Unido.

Ao chegar ao estuário do Tâmisa, a tripulação recebeu a ordem de ancorar no Great Nore, diante de Sheerness, para aguardar um comboio. A área era pouco profunda para o peso que o navio transportava, e quando a maré baixou o casco arrastou a âncora e encalhou em um banco de areia a leste da Ilha de Grain.

Entre o fim de agosto e o início de setembro de 1944, o casco começou a ceder e se partiu na região da ponte. Em 23 de agosto, já havia equipes contratadas para retirar a carga; em 8 de setembro de 1944, o navio se partiu por completo e afundou gradualmente, selando uma crise que persiste até hoje.

O resgate que não terminou, toneladas removidas e toneladas que ficaram

As autoridades tentaram descarregar a carga assim que perceberam o afundamento. Apesar da participação da Royal Navy, a operação enfrentou mar agitado, porões de proa alagados e uma grande fenda no lado de estibordo, o que elevou o risco operacional. Segundo o governo britânico, o clima adverso comprometeu a segurança e limitou o trabalho.

De acordo com a revista New Scientist, o jornalista Mick Hamer relatou em 2022 que o Almirantado não teria aceitado pagar adicional de periculosidade pedido por trabalhadores para lidar com bombas, o que também pode ter travado o esforço. No balanço final, foram retiradas cerca de 2.945 toneladas dos porões traseiros e entre conveses, mas permaneceram aproximadamente 1.400 toneladas de NEQ (quantidade líquida de explosivo), principalmente na seção frontal.

AspectoDetalhe
Carga total embarcada em 19446.127 toneladas imperiais, majoritariamente munição
Retirada na operação de emergência2.945 toneladas dos porões traseiros e entre conveses
Explosivo remanescente estimado1.400 toneladas de NEQ na seção de proa
Estado do cascoNavio partido em duas metades desde 8 de setembro de 1944
Situação atualZona de exclusão e monitoramento contínuo no Tâmisa

O que mudou com o tempo, monitoramento contínuo e planos de intervenção

As décadas passaram, mas o SS Richard Montgomery continua sob observação. O governo descreve uma área bem sinalizada, com avisos e radares operando ininterruptamente para evitar aproximações perigosas. Estão previstos estudos periódicos com mergulhadores e sonar para mapear a integridade do casco e a posição da carga.

O relatório anual mais recente, publicado em 2023 e baseado em inspeções de 2022, identificou inclinação adicional de 10 a 15 cm na seção dianteira e o início de desmoronamento em parte da estrutura. A recomendação foi reduzir a altura dos três mastros que emergem, para minimizar impactos no convés e no conteúdo sensível sob proteção.

Segundo a BBC, a descoberta de 18 novos objetos metálicos no entorno, informada em 2024, levou ao adiamento da intervenção e reposicionou o cronograma para 2025. Já houve expectativas anteriores de remoção dos mastros em 2020 e 2022, mas as condições técnicas e a segurança ditam o ritmo.

Em paralelo, o tema permanece na pauta pública e parlamentar, com questionamentos sobre custos, riscos e prioridades. Outlets como Metro e Newsweek voltaram ao caso, reforçando o interesse nas medidas para reduzir incertezas.

De acordo com a Agência Marítima e de Guardas Costeiros, a estratégia mais prudente segue sendo monitorar e agir de forma incremental, priorizando a estabilidade do sítio e a segurança da população costeira.

O governo britânico classifica como remoto o risco de uma grande explosão, mas mantém vigilância constante e planos específicos de mitigação.

Se explodisse, quais seriam os impactos estimados, estudos e cenários possíveis

Em 1972, o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Explosivos (ERDE) calculou que uma detonação poderia quebrar janelas em Sheerness e lançar uma coluna de cerca de 300 metros de largura composta por lama, metais e parte da carga. A New Scientist qualificou o cenário como potencialmente uma das maiores explosões não nucleares já vistas.

O risco seria agravado pela proximidade do terminal de gás natural liquefeito em Grain e pelo tráfego de superpetroleiros no estuário. Há quem fale até em um pequeno tsunami local, dependendo das condições de maré e do volume efetivamente detonado, embora o governo ressalte que esse é um cenário extremo e improvável.

Mesmo assim, a existência de uma estimativa técnica antiga e os achados recentes no entorno justificam a abordagem cautelosa. A política atual combina prevenção, monitoramento e intervenções de engenharia de baixo impacto.

Entenda onde fica o naufrágio e por que ele segue restrito

O SS Richard Montgomery está no estuário do Tâmisa, diante de Sheerness e próximo à foz do rio Medway, encalhado a leste da Ilha de Grain. Os mastros, ainda visíveis, têm sinalização que alerta para a presença de munição.

O local consta nas cartas do Almirantado, há boias e uma zona de exclusão definida para afastar embarcações. A área é vigiada por radar 24 horas, e autoridades realizam levantamentos periódicos com sonar e mergulhadores para detectar qualquer mudança.

FAQ

  1. 1) O risco de explosão é alto? Segundo a Agência Marítima e de Guardas Costeiros, o risco de uma grande explosão é considerado remoto, mas o sítio permanece sob vigilância contínua e com zona de exclusão.
  2. 2) Quanto de explosivo permanece a bordo? Estimam-se cerca de 1.400 toneladas de NEQ na seção de proa, remanescentes de um total de 6.127 toneladas imperiais de carga militar embarcada em 1944.
  3. 3) O que está previsto para os mastros? Reduzir a altura dos três mastros que emergem da água para diminuir tensões na estrutura. Após achados em 2024, a remoção foi reprogramada para 2025.
  4. 4) Quem acompanha o caso? O governo britânico, por meio da Agência Marítima e de Guardas Costeiros, com relatórios anuais. A BBC e outras publicações, como New Scientist, também acompanham o tema.

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Sobre o Autor

Geovane Souza
Geovane Souza

Criador de conteúdo com olhar atento para temas do cotidiano, curiosidades e assuntos que despertam interesse de forma leve e envolvente. Produz conteúdos sobre comportamento, cultura, estilo de vida, descobertas curiosas e tendências, sempre com uma abordagem acessível e próxima do público brasileiro.

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