Do pó de cimento ao mosaico eterno, egípcio que começou aos 12 anos mantém sozinho uma arte de 200 anos no coração do Cairo e resiste à virada do mercado desde os anos 1990

Artesão egípcio no Cairo posiciona molde e pigmentos antes de prensar um ladrilho hidráulico em prensa hidráulica
No Cairo, Saied Hussain mantém viva a produção manual de ladrilhos hidráulicos.

No Cairo, um ateliê mantém viva uma técnica europeia do século XIX, com produção manual, prensa hidráulica e cores feitas à mão por um único artesão

No coração do Cairo, um pequeno ateliê sustenta uma tradição com mais de 200 anos. O artesão Saied Hussain transformou um material comum em obra de arte, preservando o modo de fazer dos ladrilhos hidráulicos de cimento.

Segundo o próprio Saied, tudo começou quando ele tinha 12 anos, dentro de uma oficina tradicional. Desde então, o processo manual quase não mudou, apoiado em moldes, pigmentos e uma disciplina que atravessa gerações.

Essa técnica nasceu na Europa do século XIX e se espalhou após a Primeira Guerra, especialmente em países como Reino Unido, França e Bélgica. Com a popularização de novos materiais, ela perdeu espaço na Europa a partir de meados do século XX, mas sobrevive em nichos de excelência.

Infância no Cairo, os moldes e as cores que formaram o artesão

Filho de um artesão que trabalhou em uma loja de imigrantes gregos, Saied cresceu entre formatos, cores e histórias de um Egito feito no ritmo das mãos. A convivência com estênceis e fórmulas de cor moldou sua visão do detalhe e da resistência.

De acordo com o próprio artesão, a cor é o grande diferencial de seu trabalho. Ele segue usando estênceis metálicos que o acompanham há mais de 35 anos, garantindo precisão no desenho e acabamento consistente peça a peça.

Do pó ao desenho, como funciona o ladrilho hidráulico no ateliê de Saied

O processo começa com o cimento branco peneirado até virar um pó muito fino. Em seguida, Saied mistura pigmentos para atingir tons exatos e, só então, adiciona água para preparar massas de cor que serão depositadas no molde.

As cores são despejadas em compartimentos definidos pelos estênceis, formando desenhos nítidos. Depois, o molde é completado com uma mistura de areia, cimento e calcário, etapa crucial para que o motivo não se desfaça com o tempo e o uso.

Etapas da fabricação manual

Com o molde preenchido, a peça segue para a prensa hidráulica. A alta pressão compacta e solidifica o ladrilho em segundos, selando o desenho e a camada estrutural de base.

O resultado são ladrilhos densos e resistentes, com padrões únicos. Cada cor, linha e contorno fica protegido pela compactação, o que confere durabilidade e rusticidade ao acabamento.

Segundo relatos do ateliê, a combinação entre pigmentos, estênceis e prensa mantém a integridade do desenho. É um equilíbrio fino entre arte e engenharia tradicional.

Mercado em transformação, preços e produção que sustentam a tradição

No Egito, os ladrilhos cerâmicos e de mármore dominaram o mercado nos anos 1990, empurrando a produção artesanal de cimento para a margem. Para continuar, Saied criou modelos mais acessíveis e trabalhou com apenas dois funcionários.

Hoje, ele produz até 150 ladrilhos por dia e vende a cerca de 500 libras egípcias por metro quadrado (algo em torno de US$ 31). A combinação de preço competitivo, resistência e desenho exclusivo mantém a oficina ativa em um segmento de nicho.

AspectoLadrilho hidráulico de cimentoCerâmico ou mármore
Preço médio por m²Aprox. 500 EGP (cerca de US$ 31)Varia amplamente conforme marca e acabamento
ProduçãoArtesanal, até 150 peças/dia (ateliê de Saied)Industrial, volumes altos e padronizados
PersonalizaçãoAlta, cores e padrões por estêncilMédia a baixa, catálogo pré-definido
DurabilidadeElevada, compactação por prensa hidráulicaElevada, depende do material e assentamento
EstéticaTextura e variação artesanal únicasAcabamento mais uniforme e seriado

Ensino gratuito, 40 anos formando aprendizes e planos para 2026

Em 2026, Saied segue abrindo as portas do ateliê. Há cerca de 40 anos, ele oferece aprendizados gratuitos a jovens artesãos, insistindo que a transmissão do ofício é tão importante quanto a própria produção.

Segundo o artesão, nem todos conseguem dominar a técnica, porque ela exige paciência, senso de cor e precisão no manuseio dos moldes. Ainda assim, seu objetivo é garantir que o conhecimento circule e encontre novos guardiões.

Para ele, preservar vai além de vender peças. É manter viva uma linguagem material do país, capaz de contar sua história por meio de geometrias, cores e superfícies compactadas.

O mais importante é que essa arte continue viva, mesmo que poucos a dominem — Saied Hussain

Perguntas frequentes, saiba mais sobre a técnica e o artesão

  1. O que são ladrilhos hidráulicos de cimento?

    São peças produzidas a frio, com camadas de cimento e pigmentos compactadas em prensa hidráulica, sem queima em forno.

  2. Quanto custa e qual a produção diária no ateliê de Saied?

    O preço gira em torno de 500 libras egípcias por m² (cerca de US$ 31), com até 150 ladrilhos por dia.

  3. Quando e onde surgiu essa técnica?

    Ela se consolidou na Europa no século XIX, expandindo-se no pós-Primeira Guerra, e perdeu força na região a partir da metade do século XX.

  4. Como Saied mantém o ofício vivo em 2026?

    Oferecendo formação gratuita há cerca de 40 anos, adaptando modelos e preservando o processo manual com estênceis usados há mais de 35 anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Tags: | |

Sobre o Autor

Geovane Souza
Geovane Souza

Criador de conteúdo com olhar atento para temas do cotidiano, curiosidades e assuntos que despertam interesse de forma leve e envolvente. Produz conteúdos sobre comportamento, cultura, estilo de vida, descobertas curiosas e tendências, sempre com uma abordagem acessível e próxima do público brasileiro.

Update cookies preferences