Cidade cenográfica do Exército deixa improviso e recebe R$ 5,6 milhões em Campinas, com foco em treinos de protestos, terrorismo e desastres para reduzir riscos à população
Ampliação em Campinas vai transformar centro de treinamento urbano do Exército, com obras em alvenaria e cenários realistas para ocorrências complexas
O Exército Brasileiro abriu licitação para ampliar a cidade cenográfica do Centro de Instrução de Operações Urbanas (CIOU), em Campinas (SP), com R$ 5,6 milhões previstos na primeira fase. O objetivo é treinar tropas em sequestros, ataques terroristas, desastres naturais e protestos violentos com mais realismo.
Instalado dentro do 28° Batalhão de Infantaria Mecanizado (28° BIMec), o CIOU hoje opera com uma estrutura improvisada, baseada principalmente em contêineres. A obra pretende erguer edificações em alvenaria para simular bairros, ruas e prédios típicos de áreas urbanas brasileiras.
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De acordo com o edital do Exército, a primeira etapa começa em março de 2025 e inclui 31 residências distribuídas em quatro quadras, totalizando 2,8 mil m² de área construída. A ampliação completa prevê 66 imóveis, mas a sequência de fases ainda não tem data.
Segundo relatório anexo à licitação, reproduzir a arquitetura e os obstáculos urbanos é vital para o adestramento em técnicas como reconhecimento de áreas e resgate de reféns. A expectativa é elevar a precisão das simulações e a segurança em missões reais.
Como é a estrutura atual do CIOU em Campinas e o que muda com a obra
Hoje, o cenário de treinamento do CIOU é formado por contêineres adaptados, o que limita ângulos, texturas, acessos e complexidade de rotas. A proposta da ampliação é criar uma malha de edificações permanentes, com fachadas, corredores e variações de pavimento que reproduzam bairros reais.
De acordo com o Exército, o ambiente mais fiel possibilita treinar táticas, técnicas e procedimentos de combate urbano de forma sistemática e segura. Isso inclui operações com múltiplas entradas, cobertura de telhados, progressão em becos estreitos e evacuação de civis.
“A falta de realismo prejudica sobremaneira o adestramento das tropas, o que reflete na capacidade operacional da Força Terrestre. Portanto, a construção da cidade cenográfica do CIOU […] é de vital importância para a manutenção da operacionalidade do Exército Brasileiro.”
| Estrutura atual | Projeto de expansão |
|---|---|
| Contêineres e adaptações provisórias | Edificações em alvenaria, cenários permanentes |
| Layout limitado de ruas e acessos | Quatro quadras planejadas com 31 residências na 1ª fase |
| Menor variedade de ambientes internos | Ambientes complexos para resgate de reféns e reconhecimento |
| Escopo improvisado de metragem | 2,8 mil m² na fase inicial e 66 imóveis no total previsto |
| Áreas temáticas pontuais | Manutenção de áreas identificadas como favelas para treinos |
Cronograma, valores e escopo da fase inicial no 28° BIMec
A 1ª fase está orçada em R$ 5,6 milhões e tem início previsto para março de 2025, segundo o edital. O pacote contempla 31 residências, com tipologias de pequeno e grande porte, distribuídas em quatro quadras planejadas para testes de progressão e ocupação coordenada.
No total, a cidade cenográfica deverá alcançar 66 imóveis, em etapas futuras ainda sem cronograma. A planta prevê também a manutenção de duas áreas do terreno identificadas como favelas, estruturas já existentes usadas para treinos com alto nível de imprevisibilidade e densidade humana.
De acordo com o Exército, a infraestrutura definitiva em alvenaria sustenta simulações mais longas, com repetição de rotas e cenários variados. Isso permite aferir desempenho, testar protocolos de redução de danos colaterais e padronizar lições aprendidas.
Por que o Exército quer treinar mais em ambiente urbano e o que diz o CMSE
Ao g1, o Comando Militar do Sudeste (CMSE) informou que a ampliação do CIOU busca capacitar militares de todo o país a atuar em ambientes altamente urbanizados. Serão novas instalações com obstáculos e edificações semelhantes ao ambiente real, favorecendo a aplicação de táticas e procedimentos atualizados.
Segundo o CMSE, treinar com realismo reduz o risco de efeito colateral à população em operações reais. Em cenários urbanos, onde os confrontos modernos costumam ocorrer, a repetição em condições controladas ajuda a ajustar abordagem, comunicação e regras de engajamento.
GLO, G20 e missões no exterior contextualizam o uso em cidades
Embora a Segurança Pública não seja missão primária do Exército, a Força atua em situações específicas por meio de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Em 2024, militares foram empregados na segurança do G20 no Rio de Janeiro, coordenando ações com outras instituições.
Em operações internacionais, o Exército também participou como força de paz na MINUSTAH, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti. Experiências desse tipo reforçam a necessidade de treinos urbanos com cenários realistas e protocolos de proteção a civis.
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FAQ
1) O que é a cidade cenográfica do Exército?
É um complexo de treinamento do CIOU, no 28° BIMec em Campinas, com cenários urbanos para simular sequestros, terrorismo, desastres e protestos violentos.
2) Quanto será investido e quando começam as obras?
A primeira fase foi orçada em R$ 5,6 milhões, com início previsto para março de 2025, segundo o edital do Exército.
3) Quantos imóveis serão construídos e para que servem?
Serão 31 residências na fase inicial, dentro de quatro quadras, e o total previsto é de 66 imóveis. Eles servem para treinar técnicas de combate urbano, reconhecimento e resgate de reféns.
4) Por que treinar em ambiente urbano é importante?
Segundo o CMSE, o realismo dos cenários reduz riscos de efeito colateral e melhora a capacitação para operações em cidades, onde ocorrem muitos confrontos modernos.
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